|
||||||||
|
ONG
Combate à escravidão
Educação e comunicação
Agrocombustíveis
Agência de Notícias Trabalho Escravo
Notícias do Pacto
Reportagens
Arquivo de notícias
You Tube
Programa de Rádio
Lista Suja
Especiais
Maranhão
Agenda
Perguntas do trabalhador
Cartas
Contate-nos
O que é Mentiras mais contadas Como uma pessoa livre se torna escravaComo uma pessoa escrava se torna livre Comparação entre a nova escravidão e o antigo sistema O trabalho escravo e a legislação brasileira Documentos para pesquisa Jurisprudência |
12/11/2007 Na Índia, história em quadrinhos ajuda a mostrar a vida como ela éO cartunista Sharad Sharma circulou por comunidades espalhadas pela Índia para ministrar oficinas de história em quadrinhos que discutem temas cotidianos dos moradores como violência, discriminação de gênero e corrupção Por Fernanda Campagnucci Tudo parecia distante do vilarejo indiano isolado e de casas esparsas que fica na fronteira com o Paquistão. O próprio cotidiano marcado por problemas como a pobreza, a violência contra as mulheres e a discriminação, entretanto, acabou aproximando os moradores de um universo inusitado: o das histórias em quadrinhos (HQs). A ponte entre esses dois mundos foi construída numa das 150 oficinas realizadas pelo método Comics Power (Poder dos Quadrinhos, em inglês), criado pelo cartunista indiano Sharad Sharma. Há oito anos, ele percebeu que a mídia comercial não se interessava com as questões do campo, longe das grandes cidades na Índia, Paquistão ou Sri Lanka: "Os jornais e as televisões se interessam, principalmente, por políticos e famosos, pessoas da elite ou classe média, sempre focando na vida da cidade". Com os altos índices de analfabetismo da região e a dificuldade de acesso aos grandes jornais, a linguagem dos quadrinhos "pegou". De acordo com o cartunista, a maioria da população (60%) não é representada na mídia.
O método aplicado por Sharad Sharma é simples. Os moradores se reúnem e contam suas histórias de vida e discutem temas do cotidiano. "As pessoas vinham com histórias fantásticas. Não era necessário ficar ensinando o que é direitos humanos ou questões de gênero. Isso é o que eles estão vivendo", explica. Naquela cidade da fronteira do Paquistão, ele vê o exemplo do poder de simples histórias em quadrinhos. "Nas primeiras oficinas, nenhuma menina participava. Então começamos a discutir: por quê? É o sistema local dos vilarejos, chamado Pardah, que existe não somente nas cidades muçulmanas, mas também nas cidades hindus? Por que as meninas não vão à escola?", relembra. Seis meses depois, os mais de 400 desenhos colados e distribuídos pelo vilarejo mobilizaram a população local em torno da questão. Os próprios moradores classificaram o feito de "milagre". "Isso que é desenhar?" Nas viagens que o cartunista e os colaboradores do projeto fizeram ao Nordeste do país - perto de Mianmar ou Bangladesh - ou ao Leste da Índia - da área que vai do Nepal ao sul da Índia - até o Sri Lanka, surgiram os mais variados temas da vida dos camponeses: alcoolismo, poluição, corrupção no sistema de distribuição de comida e nas administrações locais.
Transformação Ele lembra ainda do caso de Jaduguda, região rica em urânio. "Não é uma mineração científica, as pessoas extraem urânio a céu aberto e estão morrendo por causa da radiação", relata. Um empregado da Corporação Indiana de Urânio decidiu parar de trabalhar ali para fazer quadrinhos e sensibilizar as pessoas.
Além da falta de interesse, o cartunista aponta a auto-censura dos jornalistas indianos como motivo da ausência das questões do campo nas publicações diárias: "Há uma espécie de proibição em se falar de direitos humanos. Se você escreve sobre a Caxemira, por exemplo, os jornalistas começam a ser chamados de pró-paquistaneses ou agentes daquele país". No Sri Lanka, as histórias em quadrinhos deram início a uma grande campanha de denúncia da violência contra mulheres. Assim como folhetos publicitários são inseridos entre os cadernos dos grandes jornais, os ativistas decidiram tentar a estratégia com as tiras. Sharma conta que os veículos começaram a publicar essas histórias, diante da reação positiva dos leitores. "Antes, não havia uma linha sobre essas pessoas nos jornais", comemora. Sharad Sharma veio ao Brasil para participar do VII Colóquio Internacional de Direitos Humanos, que aconteceu em São Paulo do dia 3 ao 10 de novembro. Apesar de ser a primeira vez que vem à América Latina, Sharma não consegue explicar um detalhe "estranho": esse é o continente que mais acessa o site do projeto, que reúne alguns exemplos dos quadrinhos produzidos. Curioso, ele vai realizar duas oficinas neste mês - uma em São Paulo e outra em Fortaleza. Quem sabe, durante esse contato direto com as pessoas, ele possa descobrir o porquê de tamanha popularidade entre o público latino. |
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() Cadastre seu e-mail e receba nosso boletim:
![]() ![]() ![]() |
||||||
Expediente (C) Copyleft |
||||||||