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13/05/2008 - 15:45 Marcha no Tocantins reúne manifestantes pelo fim da escravidãoAto reuniu cerca de mil pessoas nesta terça-feira (13) em Araguaína (TO). Manifestação faz parte do Festival da Abolição, que reúne eventos como oficinas, mostra de filmes e apresentações culturais em nove cidades Por Beatriz Camargo Araguaína - Em plena data que marca os 120 anos da assinatura da Lei Áurea, cerca de mil pessoas participaram de uma marcha pelo fim da escravidão e da injustiça social no campo, na manhã desta terça-feira (13), no município de Araguaína (TO). Desde 1995 - quando as ações do grupo móvel de fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) foram lançadas - até hoje, mais de 28 mil trabalhadores já foram libertados no Brasil.
Quando a marcha parou em frente ao Fórum da Justiça, os manifestantes lembraram das mortes de defensores dos direitos humanos, como o padre Josimo Morais Tavares (1986), as lideranças Expedito Ribeiro de Souza (1991), de Rio Maria (PA), e Raimundo Ferreira, o Gringo, de Conceição do Araguaia (PA), e a irmã Dorothy Stang (2005). O protesto condenou a impunidade contra os mandantes dos crimes. Na semana passada, um dos acusados de ser o mandante do assassinato de Dorothy Stang, Vitalmiro Bastos Moura - conhecido como "Bida" -, foi absolvido pelo Júri Popular, depois de ter sido condenado a 30 anos de prisão no julgamento anterior. Entre os manifestantes, estiveram presentes professores e estudantes de Araguaína e comunidades da região que farão apresentações durante o Festival (veja vídeo). Também havia centenas de jovens, muitos deles ligados à Pastoral da Juventude Rural (PJR) e à Comissão Pastoral da Terra (CPT). Os moradores do Acampamento Bom Jesus, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), viajaram desde Filadélfia (TO) para participar da "Marcha da Abolição". Ainda nesta terça-feira, os "sem-terrinha", grupo das crianças do acampamento fazem uma apresentação no encontro da Comissão Estadual de Erradicação do Trabalho Escravo (Coetrae) do Tocantins, que se realiza especialmente em Araguaína. "Ainda existe trabalho escravo e queremos acabar com isso. Saímos do Acampamento às 4h da manhã para estarmos aqui hoje juntos nessa luta", testemunha a liderança Eliene Sirqueira.
Durante a marcha, homens e mulheres da Comunidade Quilombola de Cocalim, em Santa Fé do Araguaia (TO), dançaram o tradicional Lindô (confira vídeo). Cerca de 50 pessoas que fazem parte do grupo vieram participar do Festival da Abolição. De acordo com Maria do Espírito Santo, presidente da Associação da Comunidade Quilombola de Cocalim, a dança saúda a lua cheia e é típica dos escravos na região de São Luís (MA), origem da comunidade. Para ela, a mobilização contra a escravidão faz parte da própria luta pela autonomia de Cocalim, que sofre pressão das propriedades vizinhas. "Antes a gente vivia só plantando dentro da nossa área. Hoje a terra não dá, a maioria da comunidade trabalha fora". Maria conta que a infiltração de não-quilombolas é outro problema enfrentado pela comunidade. "Com essa mistura, aumentou a inimizade, não estamos mais unidos como antes. E outras pessoas estão deixando de dançar, por vergonha ou preconceito, não sei". Festival "Vamos mostrar a cara de quem já deu alguns passos no combate a escravidão no Tocantins, de uma forma leve, divertida", expõe. Segundo ele, há uma mudança clara da postura do Estado com relação ao trabalho escravo, passando a se envolver mais com relação ao problema. "Se houve avanços, foi resultado de muita luta, de uma organização crescente e paciente". Ele lembra a importância do Projeto "Escravo, Nem Pensar!", da ONG Repórter Brasil, para as articulações entre movimentos sociais tocantinenses. "A Repórter Brasil trouxe novos atores para o combate a escravidão, por envolver professores da rede pública, que nós [da CPT] não trabalhávamos antes. O novo público abriu uma alavanca multiplicadora, com iniciativas que vão se renovando." Veja os vídeos da Marcha da Abolição e da dança Lindô Noticia relacionada: |
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