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21/05/2009 - 13:33 Justiça cogita fechamento da Vara do Trabalho em UnaíBaixo movimento processual justificaria "rebaixamento" de Vara para Posto Avançado. Para procuradores, base de Unaí (MG) impede que a região, onde houve chacina de fiscais em 2004, se torne "território sem lei" trabalhista Por Maurício Reimberg Proposta em discussão na Corregedoria do Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, em Minas Gerais, prevê o fechamento da Vara de Unaí (MG), município marcado pela execução de quatro integrantes de uma equipe fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em janeiro de 2004. O episódio ficou conhecido, dentro e fora do país, como "Chacina de Unaí". A partir de um estudo, o projeto será enviado ao pleno do TRT da 3ª Região, formado por 36 desembargadores. Ainda não há prazo definido para a votação.A justificativa técnica para o fechamento é o "baixo movimento processual" da Vara do Trabalho de Unaí: em 2004, foram distribuídos 769 processos; esse índice caiu para 606 em 2008. De acordo com a proposta, o objetivo é transferir a sede para Montes Claros (MG). A atual Vara de Unaí, que atende 11 municípios, seria convertida num "posto avançado". Na prática, a medida pode representar uma diminuição da presença da autoridade judiciária e do número de audiências realizadas no local, o que dificultaria o acesso à Justiça. Unaí está inserida numa região marcada pelo avanço do agronegócio sobre o Cerrado e a precarização das relações trabalhistas. Lavouras de soja, milho e feijão cresceram a partir da década de 1980, atraindo produtores do Sul do país. Como consequência, houve pressão sobre o meio ambiente e expulsões dos posseiros que viviam do extrativismo. O município está localizado a 168 km de Brasília e a 578 km de Belo Horizonte (confira mapa abaixo).
A proposição já recebeu críticas de integrantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de alguns prefeitos da região. Em ofício encaminhado em março deste ano ao tribunal, a Procuradoria do Trabalho de Patos de Minas - que abrange o território das Varas de Patos de Minas, Patrocínio, Araxá, Paracatu e Unaí -, afirma que a proposta "merece ser evitada", pois representa um "grave retrocesso".
Impunidade Na manhã do dia 28 de janeiro de 2004, os auditores fiscais do Trabalho João Batista Soares, Eratóstenes de Almeida Gonçalves e Nelson José da Silva, e o motorista da equipe, Aílton Pereira de Oliveira, foram baleados numa emboscada na zona rural de Unaí (MG). Eles faziam uma fiscalização de rotina em fazendas do noroeste mineiro. Mais de cinco anos após a "Chacina de Unaí", o crime ainda aguarda julgamento. O fazendeiro e atual prefeito de Unaí, Antério Mânica (PSDB), é um dos suspeitos - junto com seu irmão Norberto - de ter encomendado a execução. Ambos negam envolvimento. Nelson José da Silva, um dos fiscais mortos, havia aplicado cerca de R$ 2 milhões em infrações à fazenda dos Mânica por descumprimento de leis trabalhistas. De 1995 a 2004, houve ao menos sete inspeções em propriedades pertencentes à família, em que foram lavrados 30 autos de infração. Norberto e seus irmãos - Luiz Antônio e Celso - também foram flagrados explorando mão-de-obra degradante. A despeito das acusações, o tucano Antério Mânica foi reeleito em 2008 com quase 60% dos votos válidos na disputa pela Prefeitura de Unaí. A coligação "Unaí pra frente" teve o apoio do vice-presidente José Alencar (PRB). No ano passado, Antério recebeu ainda uma condecoração da Assembléia Legislativa de Minas Gerais. A Medalha da Ordem do Mérito foi concedida ao fazendeiro em razão dos seus "serviços ou méritos excepcionais" realizados em 2008.
Comentários: LUIZ G. SIMÕES - 05/06/2009 - 18h03
HENRIQUE DE OLIVEIRA - 25/05/2009 - 15h49
GIANE SOARES DA SILVA - 24/05/2009 - 23h25
GILBERTO TOLEDO GARCIA DE ALMEIDA - 24/05/2009 - 17h14
GABRIELA - 22/05/2009 - 21h46
DERLY - 22/05/2009 - 14h36
GILBERTO TOLEDO GARCIA DE ALMEIDA - 22/05/2009 - 13h44
AZARIAS - 22/05/2009 - 12h58
RICCIOTTI PIANA FILHO - 22/05/2009 - 10h25
ADRIANO ESPÍNDOLA CAVALHEIRO - 22/05/2009 - 08h57
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