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20/08/2009 - 02:38 MST pressiona e obtém pacote de compromissos do governoMembros do Executivo federal anunciaram que a atualização dos índices de produtividade rural sairá em 15 dias. Novos parâmetros podem ajudar desapropriações, mas projeto de lei de ruralistas exige aval do Congresso Por Bianca Pyl*
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) saiu às ruas na Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária, na semana passada, e conseguiu arrancar o compromisso do governo federal de que os índices de produtividade rural, intocados desde 1975, serão atualizados em breve. Foi um dos resultados da reunião interministerial de representantes do movimento com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e a Secretaria Geral da Presidência (SG/PR), ocorrida nesta terça-feira (18). De acordo com membros do governo, a atualização será publicada em 15 dias. Com isso, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), ligado ao MDA, poderá desapropriar áreas improdutivas, hoje indisponíveis para a reforma agrária por causa dos parâmetros atrasados de 30 anos atrás. Os protestos realizados em diversos Estados do país cobraram a aceleração da reforma agrária e o fortalecimento dos assentamentos. Sedes de órgãos públicos foram ocupadas por milhares de militantes sem-terra. Na última sexta-feira (14), o MST se uniu às centrais sindicais e à União Nacional dos Estudantes (UNE) para protestar contra a crise econômica em São Paulo (SP) A aplicação de recursos para a desapropriação e obtenção de terras e o reforço nos investimentos para melhoria de vida dos assentados estavam entre as principais reivindicações do MST. "A justificativa do governo [para o corte no orçamento] é a crise. O governo mente ao afirmar que não tem crise e que não vai tirar dinheiro da área social e, no entanto, corta na calada da noite. Não tem R$ 800 milhões para atender 45 mil famílias acampadas e tem R$ 10 bilhões para emprestar ao Fundo Monetário Internacional. A reforma agrária não é prioridade para o governo", declarou Vanderley Martini, da Coordenação Nacional do MST, durante a Jornada, que agregou 3 mil só na capital federal.
"O atendimento de parte de nossa pauta é uma conquista da mobilização do acampamento e dos estados nesta jornada, mas ainda são insuficientes para solucionar as necessidades dos trabalhadores rurais acampados e assentados", analisa Marina dos Santos, que também faz parte da Coordenação Nacional do movimento social camponês. Os investimentos nos assentamentos e o atendimento das 90 mil famílias que ainda permanecem acampadas pelo país devem continuar sendo objeto de negociações com o poder público. "Tivemos um salto de qualidade nas últimas reuniões e queremos que a comissão interministerial seja mantida para agilizar a reforma agrária", declara Marina. "Permaneceremos em estado de alerta e mobilização. Se os acordos não forem cumpridos ou as pautas pendentes não avançarem, voltaremos às ruas", assegurou. Ruralistas *Com informações da assessoria do MST Notícias relacionadas:
Comentários: CHRISTIANO PEREIRA DE ALMEIDA NETO - 08/10/2009 - 14h57
RICARDO MALAGOLI - 20/08/2009 - 19h17
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