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22/07/2006 - 15:32 Kantuta é um pedaço de Bolívia na capital paulistaSalteñas, flautas de pã, malhas andinas. No bairro do Pari, em São Paulo, a feira boliviana Kantuta reúne aos domingos quase 2 mil bolivianos. E já virou atração turística Por Beatriz Camargo
É preciso deixar que a curiosidade do viajante se sobreponha ao preconceito. A experiência gastronômica obrigatória, por exemplo, está logo à entrada da feira, na rua Pedro Vicente: o anticucho vendido pela señora Berta Valdés. "As pessoas vem, comem, adoram e depois perguntam o que é", diz ela. O anticucho é coração de boi no espeto, e o churrasquinho acompanha batata e molho de amendoin (maní). "Se perguntam antes de comer, fazem uma careta e dizem não." Bem menos exóticas são as empanadas e salteñas (as duas são o que chamamos de empanada), vendidas em quatro barracas da Kantuta. Elas têm o cheiro matinal da capital boliviana. São assadas a todo instante e a procura é grande: no fim da tarde o estoque da barraca de don Carlos Soto já tinha acabado. "As pessoas me perguntam qual é a melhor barraca e eu lhes digo que é preciso experimentar de cada uma para descobrir", brinca. Uma dica vale para todas: coma-as com colher, para não manchar a roupa - repare como os bolivianos à sua volta fazem. O cheiro de caldeirão fumegante no ar pode ser de sopa - entrada obrigatória a qualquer prato boliviano - ou api (suco de milho roxo, que se bebe quente). Ele é muito consumido no "café da tarde" do altiplano andino, que vive sob temperaturas baixas, mas é tão saboroso que vai bem até em dias de calor. O acompanhamento ideal do api é o buñuelo, uma massa caseira frita (como a do pastel brasileiro, mas sem recheio, mais grossa e redonda). "Cuidado, está caliente!", avisa a vendedora, que pouco fala português, ao me servir a bebida. Mesmo com o aviso, há quem queime a língua.
Nas barracas de artesanato vê-se a riqueza da cultura andina. Há muitas peças em argila - a que mais me chamou a atenção foi uma moringa cheia de detalhes entalhados -, e algumas em madeira. As bolsas também fazem sucesso. "Trazemos quase tudo de lá, porque não se fabricam os materiais no Brasil", diz o senhor que vende malhas e panos. Também, muita coisa é de lã de lhama, macia, leve e bem quente. Os diversos modelos de malhas têm os desenhos característicos dos Andes.
Não dá pra ir embora sem uma passada nas barracas que mais aglomeram visitantes: as que exibem programas de TV bolivianos - e também vendem CDs, DVDs e publicações. Um deles tem mais ibope do que a final da Copa do Mundo de futebol, que acontecia naquela tarde. Trata-se de uma série de humor, algo parecido com o "Chaves", só que com cenário ao ar livre. Os dois protagonistas fazem piadas e trapalhadas - um deles é uma espécie de palhaço, o outro aparece vestido de chola (mulher boliviana em trajes típicos: saia, meia de lã, tranças e chapéu). Inusitado também é o serviço de cabeleireiro (pelucaria) prestado em uma tenda pequena e sempre cheia, quase ao final da feira. Ninguém parece se incomodar em ter seu cabelo cortado no meio da rua e fazem até fila para isso. E, claro, não podia faltar o futebol: à tarde, na quadra que fica no centro da praça, 19 times bolivianos e um brasileiro, do bairro, se revezam em um campeonato de futebol de salão. O brasileiro é tricampeão, mas parece que não é mais invicto. Os bolivianos começam a pegar o jeito do esporte nacional. Quem quiser ver de perto tudo isso pode chegar ao Pari às 11 da manhã. Mas é ao cair da tarde que a Kantuta enche, sobretudo de jovens latino-americanos. É a hora de paquerar, de encontrar os amigos. "Cada pessoa que vem aqui pode contar uma história diferente de como chegou ao Brasil, de como encontrou trabalho. São muitas histórias bonitas que ficam escondidas", diz Roberto, um jovem boliviano que está há sete anos no país.
Berta Valdés, a pioneira do anticucho
Comentários: IRACEMA BERNACCI SÁNCHEZ - 03/09/2010 - 01h48
ROSA PEDROSO - 15/08/2010 - 08h20
IVANILDO F GONÇALVES - 14/08/2010 - 16h52
IVANILDO F GONÇALVES - 14/08/2010 - 16h52
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VERONICA Q YUJRA - 31/07/2010 - 00h43
KAREN - 23/06/2010 - 13h46
FIGO - 12/06/2010 - 20h14
CAROLINE NASCIMENTO SENA SILVA - 09/06/2010 - 13h56
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NICOLLE NOGUEIRA - 28/04/2010 - 20h42
JORGE A. MERUVIA - 25/03/2010 - 15h49
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HUMBERTO B MENA LAZO - 12/02/2010 - 02h35
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PAULO VICTOR - 30/10/2009 - 13h32
LUANA ROCA - 30/10/2009 - 12h00
GELSON COSTA LIMA - 12/10/2009 - 14h42
VERÔNICA CRITINA - 12/09/2009 - 19h50
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XENIA OLGA TORRES BARRAZA - 06/09/2009 - 19h21
ELSON ALVES - 26/08/2009 - 14h03
JULIA RESENDE - 26/08/2009 - 09h40
CIBELI YARA DURAN ROJAS - 23/08/2009 - 10h30
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