05/12/2007 Deseret Morning News

Clipping: Combatendo o trabalho escravo em Utah

O editorial da edição de 26 de novembro de 2007 da publicação norte-americana destacou a importância da força-tarefa envolvendo agências governamentais que foi formada na cidade no estado de Utah com o objetivo de construir uma rede de investigação e condenação da prática de trabalho escravo contemporâneo.

De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA, 79 pessoas de várias partes do mundo foram reconhecidas como vítimas de "tráfico humano", um dos principais meios para consumar a escravidão contemporânea. Porém, há estimativas, segundo o editorial do Deseret Morning News, de que aproximadamente 20 mil pessoas são submetidas a tais condições a cada ano.

"A maioria dos casos modernos [de trabalho escravo] envolvem mulheres e crianças, forçadas a se prostituir ou fazer outras coisas na indústria do sexo. Poucos trabalham como servos", descreve o texto, que ressalta ainda a situação desesperançosa desse contingente que vive sob constantes ameaças.

O editorial cita o caso de uma garota de 14 anos e de sua mãe que eram forçadas a trabalhar 12 horas por dia para um casal de Salt Lake City. Segundo relatos oficiais, o casal prometia executar os familiares das vítimas caso as ordens não fossem cumpridas. "As autoridades dizem que este é um exemplo de como o problema se desdobra em Utah".

Qualquer reconhecimento e esforço com vistas a extinguir esse mal é importante, assinala o diário dos EUA. "O século XIX foi árduo em vários sentidos, mas ao menos havia abolicionistas e estradas de ferro subterrâneas para ajudar as vítimas [da antiga escravidão]. Os escravos de hoje também clamam por esse tipo de apoio", arremata o texto.

Comentário da Repórter Brasil
O editorial do jornal de abrângência regional traz uma série de pontos comuns do trabalho escravo contemporâneo praticado tanto em países pobres como em nações ricas como os Estados Unidos da América (EUA).

Primeiro: os países do chamado "primeiro mundo" não estão livres da prática criminosa, que se perpetua principalmente por meio do disseminado mercado de tráfico de seres humanos.

Segundo: as projeções dos EUA (20 mil pessoas submetidas à condições análogas à de escravidão por ano) chegam a ser tão estarrecedoras quanto as do Brasil - a Comissão Pastoral da Terra (CPT) estima que haja cerca de 25 mil pessoas em condição semelhante.

E terceiro: um dos maiores problemas para o enfrentamento nos EUA também é a resistência de determinados setores da sociedade em reconhecer a existência do problema.

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