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31/03/2008 Agência Câmara Clipping: Lupi defende expropriação de terra com trabalho escravoO ministro do Trabalho, Carlos Lupi, defendeu hoje na Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público a expropriação de terras onde forem encontrados trabalhadores mantidos em condições análogas às de escravo. "Se ficar comprovado que o trabalho escravo é recorrente na propriedade, eu sou favorável à sua expropriação", disse o ministro.A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 438/01 prevê essa sanção contra os proprietários que se valerem de trabalho escravo. No começo deste mês, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, garantiu que será votada ainda neste semestre. O deputado Vicentinho (PT-SP) elogiou a atuação de Lupi no combate ao trabalho em condições desumanas e citou matéria da Agência Folha sobre a liberação de 421 trabalhadores em condições degradantes, em Quirinópolis (GO), pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho, na quinta-feira passada (20). O Código Penal equipara o trabalho em condições degradantes ao trabalho forçado. Nelson Marquezelli (PTB-SP) condenou a atuação do Grupo Móvel, que, para ele, só faz prejudicar a imagem do Brasil no exterior. "Isso vai oficializar uma mancha enorme na reputação do Brasil. De repente, vai acontecer o que aconteceu com a carne brasileira", afirmou. "Escravos nós tivemos, não temos mais", disse. O ministro do Trabalho reagiu. "Não posso impedir uma ação que tem hoje resultados positivos, inclusive no exterior", afirmou. "O Brasil está agindo. Não estamos esperando os organismos internacionais vir e denunciar o trabalho escravo", disse. O ministro afirmou que os empresários que querem evitar máculas eternas em seus produtos e serviços deveriam se abster de submeter seus empregados a condições degradantes. Ele acrescentou que o ministério tem imagens de trabalhadores submetidos a condições subumanas que sequer podem ser divulgadas. "Seria muito prejudicial ao Brasil", explicou. Lupi lembrou ainda que o Grupo Móvel compõe-se não apenas de fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego, mas também de membros do Ministério Público, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), das polícias Federal e estaduais e de organizações não-governamentais. Além disso, só atua mediante denúncias. Emenda 3 O deputado disse que a medida seria um "meio-termo" entre à regra atual - que determina a configuração de relação de emprego entre a empresa e o trabalhador que é obrigado a abrir uma empresa para manter o contrato de trabalho - e a proposta da emenda 3, que simplesmente proíbe a configuração da relação de empregos nesses casos, a não ser por meio de sentença judicial. Carlos Lupi afirmou que a regulamentação precisa ser cautelosa. "Não podemos generalizar aquilo que deve ser exceção", afirmou. O Congresso vai analisar vetos presidenciais amanhã, entre eles o que barrou a emenda 3. "A base aliada não pode derrubar um veto do presidente da República", advertiu o ministro. Paulinho disse que, se o veto for derrubado, haverá greves e manifestações por todo o Brasil. "Vai ser uma guerra", avisou. Comentário da Repórter Brasil O ministro Carlos Lupi compareceu à Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados para defender a aprovação da chamada "PEC do Trabalho Escravo", mas a reação de parlamentares da bancada ruralista - da qual faz parte o deputado Nelson Marquezelli (PTB-SP) - denota a sólida resistência de parte dos congressistas para com questões relativas ao tema da escravidão.Enquanto isso, uma coalizão ampla de entidades da sociedade civil - da qual Repórter Brasil faz parte - busca adesões ao abaixo-assinado pedindo a aprovação da PEC 438/2001, que determina o confisco da terra onde houver a exploração de mão-de-obra escrava. |
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