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13/05/2008 Jornal do Brasil Clipping: Em aniversário da norma decretada pela princesa Isabel, país registra mais de 13 mil libertosHoje é aniversário de 120 anos da Lei Áurea, decretada pela princesa Isabel e responsável pelo fim da escravidão, mas não há motivos para festejar. Nos três últimos anos foram libertados mais de 13 mil pessoas, vítimas de trabalho escravo no Brasil - sendo o Pará o campeão com 4.200 libertos. É um número relativamente alto, principalmente quando leva-se em conta que o país aboliu a escravatura há mais de um século.Entretanto, não é surpresa. Na verdade, a lei decretada pela princesa Isabel foi pouco significativa, porque além de não dar assistência ao negro liberto, vinha de um processo de normas que já libertavam o escravo em determinadas situações. Segundo o poeta Oliveira Silveira, um dos idealizadores da transformação do 20 de novembro em data máxima da comunidade negra brasileira, a lei foi mal intencionada. - Eram necessárias várias medidas de caráter social, que não foram adotadas. O interesse era substituir o povo negro como mão-de-obra pelo imigrante. Era uma política de branqueamento - classifica Silveira. Ambiente escravista - Como o Brasil foi um dos últimos países a abolir a escravatura, ele trouxe a continuidade do meio escravista. Tudo ficou difícil para o negro, que acabou marginalizado pelas condições sociais - afirmou Silveira. - A empregada doméstica, por exemplo, é fruto de um caráter escravista. Contrariando o que dizem alguns críticos árduos do sistema de cotas, Silveira defende a política e diz se tratar da cobrança de uma "dívida social histórica". - As cotas são uma necessidade, porque democratizam a sociedade. Em outros países essa política foi implementada com êxito. As reparações foram feitas para outros segmentos raciais como os judeus depois do holocausto, por exemplo. Chega a ser uma herança racista esse combate às cotas - diz o poeta. Dívida - Hoje as pessoas já chegam escravizadas nas fazendas onde vão trabalhar. Como os fazendeiros não dão direito a transporte ou moradia, os trabalhadores chegam endividados e perdem sua liberdade em troca do pagamento do que devia ser direito seu - explica Guerra. Para combater a escravatura contemporânea, o SEDH tem duas frentes. Uma de combate direto e outra de prevenção, que conta com a informação e o esclarecimento sobre o que é o trabalho escravo e sobre os direitos do trabalhador. Comentário da Repórter Brasil Os 120 anos da Lei Áurea foram o mote de diversa produção jornalística em periódicos, no rádio, em telejornais e na internet.O conjunto do que veio a público, em geral, confirma a tese de que a escravidão, a questão negra e a exclusão social são problemas atuais que custam a ser de fato enfrentados e superados. A própria Repórter Brasil publicou um artigo especial sobre a data e, paralelamente, mantém uma cobertura especial sobre o Festival da Abolição, em Araguaína (TO), que reúne atos e eventos culturais sobre o tema do combate á escravidão contemporânea. |
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