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16/05/2008 O Globo Clipping: Europa pode boicotar produtos brasileirosPaís corre o risco de ter prejuízo econômico com saída de Marina, afirmam ambientalistas RIO e BERLIM. Ambientalistas europeus afirmaram ontem que a saída de Marina Silva do comando do Ministério do Meio Ambiente pode ter conseqüências desastrosas não só para o meio ambiente, mas também para a economia do Brasil. O ecologista Reinhard Behrend, da ONG alemã Salve a Floresta, afirmou ontem que o Brasil poderá perder seu "selo ecológico". Já Monica Frassoni, co-presidente dos verdes no Parlamento europeu, afirmou que a renúncia da ministra pode ser vista como um "sinal de alerta" da "política ecológica desastrosa" do governo Lula. ONGs ligam saída de Marina a pressão de devastadores - As perguntas que ela fez ao Lula são as perguntas que todo europeu fará: tem trabalho escravo envolvido? Destruiu a floresta? Se a resposta for sim, eles não querem - resumiu Sérgio Leitão, diretor de Políticas Públicas do Greenpeace no Brasil. - E a presença da Marina era, de certa forma, a garantia de que isso não ocorria, de que o governo estava combatendo quem fazia agricultura dessa forma. Para Leitão, o pedido de renúncia de Marina está diretamente relacionado às pressões que ela vinha sofrendo do Ministério da Agricultura, com o objetivo de flexibilizar a regra que restringe o crédito agrícola para quem desmatou sem licença ambiental. Em um comunicado, a ONG alemã Salve a Floresta também associou a saída de Marina às mudanças do "código florestal" que vêm sendo reivindicadas há três anos pela agroindústria e que, segundo ela, vão permitir o desmatamento da Amazônia em "grande estilo". Acordos sobre etanol podem ser prejudicados Leitão acha difícil que Minc tenha a mesma credibilidade internacional alcançada por Marina. Para ele, está nas mãos de Lula mostrar que sua política de desenvolvimento não vê o meio ambiente como um entrave: - Caso contrário, ele estará dando um sinal verde para as forças de destruição da floresta e o Brasil vai perder muito economicamente. Segundo ambientalistas, os acordos para a produção de etanol (como o assinado com a Alemanha) podem ser o primeiros prejudicados. - Os europeus querem biocombustível, mas não à custa de uma floresta que eles sabem ser fundamental para combater as mudanças climáticas - disse Leitão. Os ecologistas alemães já protestaram contra o novo acordo na área de biocombustíveis entre os dois países. Segundo Behrend, a produção em massa de biocombustíveis no Brasil danifica o meio ambiente pelo uso de áreas florestais para a plantação de cana-de-açúcar e soja. Comentário da Repórter Brasil Mais uma notícia que faz a conexão entre a demissão da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a visita da primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, ao Brasil e as disputas no campo do comércio internacinal.A sustentação pública adotada pelo governo de que os ataques ao etanol brasileiro não são justificáveis - e partem de agentes interessados em sabotar a oportunidade histórica de crescimento econômico com lastro neste tipo de produto - esbarra nas próprias condições vistas no campo, onde ainda vicejam relações de poder com base no tripé grilagem/desmatamento/exploração trabalhista. |
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