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04/07/2008 Agência Senado Clipping: Paulo Paim denuncia "trabalho escravo" na produção de álcoolO senador Paulo Paim (PT-RS) lamentou a ocorrência de trabalho análogo ao de escravo nas plantações de cana-de-açúcar do país destinadas à produção de álcool, conforme tem sido constado pelos fiscais do Ministério do Trabalho. Ele pediu ao Congresso que aprove projeto de sua autoria (PLS 226/07) que fixa jornada máxima de 40 horas para cortadores de cana, com direito a 20% por trabalho insalubre e perigoso. Além disso, a proposta prevê contratação de seguro de vida em grupo para esses trabalhadores e aposentadoria aos 25 anos de serviço. - Só nos últimos cinco anos, 1.383 trabalhadores morreram na lavoura de cana e muitos deles, fatigados, tombaram em pleno canavial. Metade dos flagrantes de trabalho escravo ocorreu em canaviais - disse. Paim lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que luta pelo reconhecimento internacional do álcool combustível como energia limpa, estuda a viabilidade de um contrato com os empresários do setor de álcool e açúcar para que as condições de trabalho dos cortadores de cana sejam melhoradas. Para ele, não é aceitável que em apenas uma destilaria de álcool do Mato Grosso do Sul os fiscais tenham encontrado 409 trabalhadores em condições análogas a de escravo. - Pela primeira vez, preocupações com abusos de direitos humanos no setor de cana-de-açúcar foram registradas no Relatório Anual da Anistia Internacional 2008, que é baseado em dados referentes a 2007 - disse. O senador disse reconhecer, no entanto, que o governo federal tem lutado contra o trabalho escravo, inclusive lançado um plano para o setor. - A maioria desses trabalhadores informais não sabe que eles estão, dia após dia, dando o suor ao trabalho, mas que para a Previdência Social eles não existem - lembrou Paim. Com o objetivo de reduzir o número de trabalhadores informais, o senador lembrou ainda que apresentou um projeto de lei (PLS 253/05) que cria um sistema especial de inclusão previdenciária dos trabalhadores de baixa renda. - Não estamos propondo novos benefícios, mas sim estabelecendo benefícios para que pessoas que hoje estão fora do sistema previdenciário, ou que não estão contribuindo, possam ingressar no sistema e contribuir - explicou o senador. Com relação à questão do desemprego, Paim lembrou que, apesar das altas taxas existentes e por razões as mais diversas, a falta de experiência e conseqüentemente de qualificação são as principais causas apontadas para o grande número de pessoas fora do mercado de trabalho. - De fato, nossos jovens não têm como adquirir experiência se têm de largar os bancos escolares muito cedo para ajudar no sustento de suas famílias - justificou o parlamentar. Movimento - Todos os jornais do meu estado estão destacando, hoje, a importância deste movimento, que mostra, na verdade, a preocupação do gaúcho com a produção da uva, do vinho e do próprio suco e seus derivados - explicou. Valéria Castanho Comentário da Repórter Brasil A limitação da jornada de 40 horas semanais para os cortadores de cana-de-açúcar, prevista no projeto de lei do senador Paulo Paim (PT-RS), foi defendida também pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Agricultura (Contag) em reunião recente sobre o tema convocada pelo ministro Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da República, que contou com a presença de entidades sindicais e patronais so setor sucroalcooleiro. |
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